7 de abril de 2011

Os desconhecidos de sempre.

Histórias reais ou não, onde o nosso convívio parece pedir por nossa vida com Cristo. São histórias tão simples e tão práticas que o nome do personagem principal não é exposto propositalmente, pois ele pode bem ser eu como ser você.

Eu pego todo dia o mesmo ônibus pra ir à escola, o que me faz ver as mesmas pessoas também.
Hoje não está sendo diferente, embora haja algumas pessoas "novas", a grande maioria é a de sempre.
Pra nós, os de sempre, já é um conforto ver as mesmas pessoas, mesmo sem saber quem são e pra onde vão, é como se o ciclo não fosse quebrado. 
Por exemplo, eu passei a sorrir pra moça que tem um filho com síndrome de down depois que cedi meu lugar pra ele sentar no mês passado. O nome dela é Maria e o dele Leonardo. Ela o leva e o busca todos os dias em uma escola para crianças especiais, ele tem 8 anos e é muito engraçado.

Também sei mais sobre algumas pessoas. O engravatado trabalha em um escritório de contabilidade que ainda é novo no mercado, mas está exigindo muito dele, tanto que teve que desmarcar um encontro com a namorada; ouvi sua conversa no celular quando sentei ao seu lado outro dia. A moça de uniforme amarelo trabalha no shopping e quando nos vemos não sabemos se nos cumprimentamos ou nos ignoramos, pois eu já estive na loja onde ela trabalha e ela me reconheceu, mas faz muito tempo e não viramos melhores amiga, então fica um clima estranho. Tem os três meninos que estudam na escola que tem ao lado da minha, eu já os vi andando pelo bairro, eles sobem um ponto depois do meu. Uma vez um deles sentou do meu lado e fez sinal para os outros como quem diz: "Tô pegando!" Eu nem liguei, eles devem ter no máximo 13 anos.
Tem ainda a moça da pasta azul, o menino que come coxinha, o casal de namorados que trabalha no mesmo lugar e o sósia do Renato Russo que tem uma mochila verde limão.

As pessoas novas terão seu rostos esquecidos facilmente em minha memória. Eu não vou lembrar dessa senhora que está sentada do meu lado; e até o menino bonitinho de camisa xadrez que subiu agora a pouco, dele pode até ser que eu me lembre uns dois dias, mas não vai durar mais que isso.
Mas mesmo que eu estivesse do outro lado do mundo reconheceria os "desconhecidos de sempre", que não são tão desconhecidas assim. Talvez eu os conheça melhor do que alguns amigos meus. Já me deparei tentando adivinhar o que se passava com o menino da coxinha, ele estava com uma feição triste e com grandes olheiras de quem chorou toda a madrugada. E uma vez percebi só de olhar para o engravatado que ele estava com um problemão. E de fato, estava, desabafou com alguém no celular que não encontrava uma saída para conciliar sua vida com o trabalho.

Então agora eu estou aqui pensando que Deus não se esquece de ninguém, diferente de mim.
Mas Ele espera que eu faça algo por esses que eu lembro. Eu não passo 20 minutos diários dentro do ônibus pra começar a ter oportunidades de fazer algo na escola.
Se bem que eu não sou a melhor pessoa pra levantar e começar a pregar, na verdade, eu acho que não é isso que Deus quer, não de mim. Eu posso começar orando por essas pessoas, que eu nem sei o nome mas posso chamar de "o engravatado","o cara da coxinha", pois Deus sabe de quem se trata. Ao invés de cooperar com o clima geral de mau humor, o meu semblante pode ser de alegria e tranquilidade, que eu realmente tenho em Cristo. E depois quem sabe em um ato de ousadia eu possa escrever pequenas mensagens falando do amor de Deus.

O melhor é começar rápido a orar por essas pessoas e também pedir a Deus sabedoria e que o Espírito Santo haja através de mim. Em breve, eu sei que vou poder demonstrar mais de Deus com meus atos; por hoje minha viagem já está chegando ao fim, desço no próximo ponto.
Puxo a cordinha e lembro que ainda dá tempo de fazer a diferença.
"Obrigada, motorista!"

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